Lu Andrad é consultora de vídeo e gosta sempre de dar boas dicas sobre os filmes que assiste tanto em vídeo quanto no cinema, lembrando de datas especiais e importantes e comentando os fatos do nosso dia a dia.



Terça-feira, Agosto 31, 2004  

EU SOU NEGUINHA! (texto escrito em março de 2004)

Mais do que celebrar a data, venho celebrar com todos vocês os 116 anos da Abolição da Escravatura, mesmo que cronologicamente seja pouco para a história. Algumas mudanças aconteceram, mas o preconceito racial ainda existe, principalmente por aqui. Nosso país camufla demais tais questões e faz dificultar muitas vezes a entrada e permanência do negro no mercado de trabalho, principalmente nos meios de comunicação. Sinto desinteresse e as muitas desculpas que às vezes fazem ao público não levar um filme com elenco de negros.

Spike Lee, diretor polêmico dos EUA, tem a minha sempre gratuita admiração. Lee é consiente, contestador e descendente direto das idéias de Martin Luther King e Malcolm X. Vejam a sua filmografia, principalmente Faça a Coisa Certa, Mais e Melhores Blues, Febre da Selva, Malcolm X, O Verão de Sam, A Hora do Show e A Última Noite. Lee ajudou a consagrar o ator Denzel Washington, hoje oscarizado e considerado o sucessor do primeiro superstar negro de Hollywood, Sidney Poitier, símbolo da emancipação dos negros, cuja celebridade provém de papéis que desempenhou em filmes anti-racistas como Ao Mestre com Carinho.

No filme de Steven Spielberg A Cor Púrpura ouvi comentários no cinemaque me deixaram constrangida e que provavam o quão o brasileiro é preconceituoso. Na telona, aquela "preta", "feia" e "gorda" que não engolia sapos era Oprah Winfrey. Hoja, dona de um canal de TV, ela é uma mulher negra, poderosa, talentosa e... rica! Ou seja, graças ao seu talentoe dedicação ela conseguiu se realizar profissionalmente. E graças também à coragem de diretores e produtores que apostaram suas fichas num elenco de negros nos principais papéis...

Ainda sinto que por aqui o negro foi e é muito mal explorado. Existem excelentes atores brasileiros como Lázaro Ramos, Isabel Filardis, Milton Gonçalves, Zezeh Barbosa, Zezé Motta, Seu Jorge, Leandro Firmino da Hora, Douglas Silva... entre tantos outros! Mas é preciso lutar e ter coragem para abrir mais espaço na mídia. Queremos mais autores e roteiristas, diretores e atores NEGROS, mostrando ao mundo que "os negros não são mal-cheirosos e analfabetos, e sim que criaram-se vícios para afugentarmos a opressão que fizeram outrora"*.

Assistam aos documentários Mandela, O Fio da Memória e Abolição (estes dois últimos são produções brasileiras) e aos filmes Mississipi em Chamas, Um Grito de Liberdade, À Espera de Um Milagre, Uma História Americana, Bem Amada, Tina, Tempo de Glória, Bird, Assédio, Homens de Honra, Tempo de Matar, As Barreiras do Amor e Amistad.

Muito axé! Até a próxima!

* frase cedida por uma cliente negra, engajada na causa contra o racismo.

:: postado por LU ANDRAD ::
Converse comigo! _______________________________________________________________________________

Terça-feira, Agosto 24, 2004  

Muitas vezes o cinema serve como fonte de conhecimentos utilazado como referência por professores em suas aulas.

Pensando nisso, selecionei alguns importantes filmes e documentários. Aqui vão alguns filmes com temas políticos que trazem informações sobre os contextos históricos, regionais, sociais, etc.: JFK - A Pergunta Que Não Quer Calar, Nixon, Truman, Malcolm X, Mandela, Rosa de Luxemburgo, A Lista de Schindler, Evita, Stalin, Fidel, Napoleón, Júlio César, Elizabeth, Sua Majestade, Mr.s Brown (sobre a Rainha Vitória), Danton e muitos outros.

Alguns documentários brasileiros serão importantes para pesquisas, como Ilha das Flores, de Jorge Furtado, que, de forma didática e com um toque de humor negro, fala da miséria e da fome filmando num lixão, e O Velho, de Toni Venturi, que conta a história de Luiz Carlos Prestes. Sugiro também todos os do Eduardo Coutinho, que é o nosso maior documentarista e, com temas super extensivos, questiona nosso sistema sócio-econômico e tem uma visão bem ampla do nosso processo histórico. E ainda Testemunha da História, de Boris Casoy, que vale como uma mini-enciclopédia dos nossos principais personagens históricos do século XX. Entre os filmes nacionais, eu gostaria de indicar alguns do Sérgio Rezende, como Mauá: o Imperador e o Rei, Lamarca e Guerra de Canudos.

Sobre o início da história do Brasil, gosto de Hans Staden, de Luiz Alberto Pereira, e, sobre o movimento modernista, gosto de Eternamente Pagú, de Norma Bengell.

No campo literário vamos ter naturalmente Shakespeare (ressaltando que uma mesma obra pode ser encontrada sob a ótica de diferentes diretores e adaptações), Tenesse Williams e muitos outros.

Assistam ao filme Domingo Sangrento, do inglês Paul Greengraus, que fala sobre a luta dos moradores da cidade de Derry, Irlanda do Norte, na década de 70 que, vivendo sob o domínio da Inglaterra, saem em passeata por uma política mais democrática, cujo confronto com as tropas britânicas provocou um massacre e a ascensão do IRA, o famoso exército republicano irlandês.

Imprescindível, no entanto: Tiros em Columbine, documentário de Michael Moore - emocionante, divertido, mas revoltante, ele aborda a natureza violenta dos EUA, tendo como motivação o famoso massacre onde alunos entram na escola atirando em colegas e professores sem distinções. Ganhou todos os prêmios possíveis, foi o 1º documentário a concorrer em Cannes em 50 anos, recebido sob 15 minutos de apalusos depois de sua exibição.

Aqui vai parte do discurso de Moore na cerimônia do penúltimo Oscar, ao receber a estatueta: "Chamei os outros indicados para melhor documentário ao placo, porque nós gostamos de realidade, entretanto, nós vivemos em tempos fictícios, com eleições fictícias e um presidente fictício. Estamos lutando uma guerra por razões fictícias... Que vergonha, sr. Bush, que vergonha!"

:: postado por LU ANDRAD ::
Converse comigo! _______________________________________________________________________________

Quinta-feira, Junho 10, 2004  

CONVERSANDO A GENTE SE ENTENDE...

Recentemente assisti a dois ótimos filmes: Encontros e Desencontros, de Sophia Coppola, e As Invasões Bárbaras, de Denys Arcand (continuação de O Declínio do Império Americano), que me fizeram refletir mais uma vez sobre esse mal acometido pela modernidade, essa globalização massificante que destrói as relações humanas, ou melhor, o contato, a troca de olhares, o gestual, a comunicação - elementos-chave para uma vida cultural e harmoniosa. Filmes instigantes como esses mostram como a juventude se perdeu sem perspectivas, parece que só existe internet, drogas, games, sexo virtual e, todo ano pelo jeito, Big Brother... Distanciando-se cada vez mais do Criador - ou de nós mesmos, essa Matrix acaba de vez com as verdadeiras fontes de conhecimentos: as artes, os livros, a boa música, o cinema, etc.

Na fase mais atual, As Virgens Suicidas, também de Sophia Coppola, mostra o distanciamento de idéias e ideais, na angustiante fase da adolescência; Tempestade de Gelo, de Ang Lee, nos remete aos anos 70, das descobertas do swing, da pílula, etc, mostrando de novo a icomunicabilidade. Em Donnie Darko, de Richard Kelly, também fazemos tais reflexões... e mais duas dicas sobre a temática em questão: Tempo de Recomeçar, de Irwin Winkler, e Os Excêntricos Tenenbaums, de Wes Anderson.

Pois é isso amigos, muitos dizem que, ao verem filmes assim, pensam no assunto; muitos clientes me param na loja para dizer o quanto vale nascer, viver e morrer, mas não podemos somente pensar: é preciso agir, não deixar morrer a essência do que realmente somos, seres que estão aqui para contruir e criar, e não destruir.

Todo mundo quer money, mas não quer saber de onde ele veio; nossas crianças pedem os vídeo-games mais modernos e caros, mas sequer sabem pedir a "benção" aos seus avós; queremos sexo virtual, mas não importa se o parceiro foi ao "praza comprar brusa pra te presentear".

Acho muito forte a emoção, a euforia das torcidas num campo de futebol, mas, sinceramente, gostaria que meu país não fosse só conhecido como o país do futebol, e sim como uma terra consumista de livros, filmes e música de qualidade.

Hoje ouvi um comentário na TV, alguém dizia que o cinema está na moda. Que ótimo!

Finalizando, assistam A Viagem de Chihiro, um desenho que alcança principalmente os adultos, mostrando a dificuldade de uma menina em crescer, as nuances, as mudanças e experiências de ser adolescente.

Até a próxima!

:: postado por LU ANDRAD ::
Converse comigo! _______________________________________________________________________________

Domingo, Junho 06, 2004  

E O VENCEDOR É... (texto escrito às vésperas do Oscar 2004)

Vou contar um segredo pra vocês: sempre sonhei emver o Brasil na cerimônia do Oscar. E por que? Porque nós podemos!

Vocês sabiam que já em 62 o cineasta Anselmo Duarte faturou a Palma de Ouro em Cannes com o filme O Pagador de Promessas competindo com feras como Fellini, de Sica, Visconti, Michelangelo Antonioni e Buñuel entre outos, e que François Truffaut integrava o júri e fez a maior campanha a favor do filme brasileiro?

Na locadora em que trabalho, a Vídeo & Cia., que possui um dos acervos mais completos do Brasil nesse segmento, ao indicar um filme nacional, ainda ouço comentários do tipo: "não vejo, detesto, só tem gente feia, palavrão, pobreza, etc, etc...".

Como me dói estarmos desatualizados... Todo cinema passa por várias fases e desenvolve novos estilos aos poucos!

Glauber Rocha, considerado no mundo inteiro um grande cineasta, defendia o miseralismo e dizia que seus filmes eram "feios, tristes, gritados e desesperdos", mas concorreu em Cannes com Deus e o Diabo na Tera do Sol.

Saltando de Glauber, anos 60, para os anos 90-2000, continuo a sonhar, mas, com certeza, não tão solitariamente, afinal Lisbela e o Prisioneiro acabou de levar milhões de brasileiros ao cinema!

Poucos anos atrás foram indicados ao Oscar O Quatrilho, de Fábio Barreto e O Que é Isso, Companheiro?, de seu irmão Bruno Barreto.

Central do Brasil, reacendendo minhas esperanças, foi ridiculamente apagado por A Vida é Bela, do cômico Roberto Benigni, e me fez pensar no que seria preciso pra se ganhar um Oscar...

Que tal um tanque de geurra no meio do Maracanã, ou uma nave e alguns ETs no meio do sertão da Paraíba?

Fala sério!!! Vamos celebrar o cinema brasileiro, vamos ver ou rever o que há de melhor nessa terrinha como Houve Uma Vez Dois Verões e O Homem Que Copiava, ambos do ótimo diretor e roteirista Jorge Furtado; Desmundo, O Homem do Ano, O Casamento de Louise, Durval Discos, Amarelo Manga, A Ostra e o Vento, Domésticas, Amores Possíveis, Pequeno Dicionário Amoroso, Carlota Joaquinha, Copacabana, Deus é Brasileiro, Carandiru, Cidade de Deus, Madame Satã e tantos outros, inclusive infantis,, que nos falta espaço para citar.

Por isso gente, vamos acabar com os velhos preconceitos para vermos cersecer nossa cultura, divulgando nossos "Brasis" por todo o mundo. E assim, mesmo que não ganhemos um Oscar, nos sentirmos a própria estatueta!

Saudações glauberianas... até a próxima!

:: postado por LU ANDRAD ::
Converse comigo! _______________________________________________________________________________

Sábado, Junho 05, 2004  

Bem, pra quem não conhece eu sou a Lu Andrad, consultora de filmes da Vídeo & Cia, locadora que fica em Icaraí, Niterói, e cinéfila desde pequena (e continuo ambas as coisas! Hehehehe...)

Hoje vou dedicar o post ao mundo das mulheres (atenção rapazes: pra quem quer entender melhor ainda essas cabeças cá está um "prato cheio")!

Faço questão de começar com o premiadíssimo As Horas, do diretor Stephen Daldry, com nada mais nada menos do que Nicole Kidman, que levou o merecido Oscar no papel de Virginia Woolf, Meryl Streep e Julianne Moore. As Horas me faz lembrar uma frase de Simone de Beauvoir: "nenhuma mulher nasce mulher: torna-se".

Recomendo como uma pérola o filme iraniano O Círculo. O filme retrata as condições de ser mulher no Irã e viver sob o regime islâmico. Imperdível!

Quem procura divertimento com seriedade não pode deixar e assistir à comédia romântica Coisas do Amor. Nela, quem já passou dos 30, vai se identificar com os personagens em temas como solidão, namoro via internet, idade e almas gêmeas, que são abordados de forma incrivelmente engraçada.

Não deixem também de assistir o filme alemão Simplesmente Martha. Sensível, romântico... um deleite para os amantes da gastronomia.

Vocês precisam conhecer a filmografia do grande diretor espanhol Luis Buñuel, que foi fonte de inspiração para o também espanhol Pedro Almodóvar.

Por enquanto é só, pessoal...

Até a próxima!

:: postado por LU ANDRAD ::
Converse comigo! _______________________________________________________________________________
arquivos
links
e-mail